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deza de Napoleao. Foi o seo mais alto ponto de gloria: bem podia contentar-se com elle, porque excedê-lo parecia impossivel.

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El Rey de Prussia chegou bastantemente tarde. A sua entre vista com o Imperador excitava vivamente a curiosidade, por ser entre duas pessoas, que se achavao em tao diversa posiçaō; tao ameaçadora de um lado, e tao constrangida do outro! Correo porem no palacio que El Rey sahira della contente; e devo confessar que isto deo prazer á todos, sem excepção, Allemaens e Francezes.

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. Todos estavamos impacientes por ver apparecer a Imperatris d'Austria. Sempre me há de lembrar a impressao que esta Princeza fez quando atravessou as grandes sallas do palacio, preceaia pelo Imperador Francisco! Como toda a gente corria para encontrarse com ella! Como todos os olhos se fixavao sobre este novo espetaculo! Caminhava com a mais engraçada magestade, vestida á Hungara, traje, que realçava a beleza de seo rosto, e e obria o que lhe faltava de gordura. Sem os ouvir, nao se faz idea dos aplauzos respeituozos, que se propagavao pornde ella passava, nem do que cada um dizia a cerca da impressao, que The tinha feito esta pessoa verdadeiramente Real! O encanto cresceo ainda quando ella deo audiencia (como todos os outros Soberanos) aos estrangeiros reunidos em Dresda. O bom senso das suas perguntas, o decoro de suas expressoens, a graça de seo porte e de suas palavras, sempre cheias de bondade, encantaram a todos; e se esta Princeza podesse ler no fundo dos coraçoens entao veria, que nenhum tinha deixado de ganhar. Cada um de nós se sentio conçolado pelo longo eclipse que tinha sofrido a Realeza, ao vê-la brilhar com um resplendor tao puro nesta admiravel Soberana.

O Auctor passa a contar como recebeo em fim as suas mesquinhas Instrucçoens da mao do Duque de Bassano, e partio para Varsovia. Eis o que elle diz da sua viagem, e entrada em Polonia.

Nao posso exprimir o que senti desde que passei o Elbo, e comecei a subir para as montanhas que dominaō a margem direita deste rio. Quando atravessava os negros bosques, que logo começao nos arrabaldes de

Dresda, cobrem suas alturas, e estendem o crepe de sua funebre verdura até o fundo das terras septentrionaes; cada arvore se me figurava um cipreste. Ao passar o Elbo parecia-me, que entrava em um mundo novo, e que os laços que me prendiao ao que deixava se rom> piao, despedaçando-me o coraçao. Achava-me igualmente consternado pelo que deixava para traz de mim, e pelo que se me aprezentava em frente; pelo que perdia, e pelo que hià buscar. A Europa se me reprezentava acabada ao passar o Oder. Ali começaō uma lingoagem estranha, e costumes differentes dos da Europa. A povoaçao Judaica, que se distingue muito da natural do paiz, trajando sempre a moda da Asia, dá a aquella terra um ar Oriental mui assignalado. A Polonia ainda narié Asia, mas já naõ hé Europa: seo terreno hé est.if, sua cultura está ainda na infancia. Estava-mos no mez de Junho, fazia um tempo admiravel, e a terra se conservava triste. Os animaes me pareciaō hideondos e enguiçados; o povo coberto de farrapos, e os Judeos de tragos nojentos. Os homens de raça Polaca sao altos tem belas cores, mas sem As cazas sao outros expressao algum no olhos. tantos azilos da mise a, da porcaria, e dos insectos: as aldeas parecem esmagadas debaixo do pezo do Côlmo e enterradas em lama: as villas e cidades, construidas de madeira, sao desprovidas de ornatos e de todas as provisoens, que estao a cima das mais grosseiras necessidades. As cazas nobres sao feitas à proporçao: os alimentos repugnao ao gosto e ao cheiro: e as bebidas sao nauseantes ou damnozas. Tudo isto nao podia pois diminuir os tristes pressentimentos que me acometiao: e quando perguntava á mim mesmo, se uma naçao tao pouco adiantada, era susceptivel do que se The pertendia fazer, uma resposta mortal ressoava no fundo de meo peito

(O fim destes Extractos se dará em o No. seguinte.)

Extractos de uma Memoria intitulada: “ Dissertação Historica e Politica de Portugal."

A prosperidade de Portugal pende absolutamente d'uma reforma Económica, e Politica: a destruiçao do

Papel-moeda hé um dos primeiros problemas, que devem resolver-se para est fim. Esta proposiçao hé susceptivel de diversas soluçoens: Um Secretário d'Estado dirá, que se augmentem os tributos, se diminua o exercito, e os tribunaes: hum grande da Corte dirá, que se publique huma bancarrota: um eidadao patriota dirá que se estabeleça a economia desde o Soberano, até ao particular; porêm um sabio nao adoptará nenhum destes pareceres; um sabio, como funda todos os seus projectos na Humanidade, na Moral, e na Ethica indagará o meio de destruir a Moeda papel sem perjuizo de um so vassallo, nem do Estado, e ponderará as utilidades, e desconveniencias deste partido. Em tempo de El Rei D. Joao Quinto, criarao-se trez cunhos novos de moeda de oiro ;-o de 6400, de 12,800, e de 24,000 reis. Portugal nao continuou a uzar das duas ulsimas moedas, talvez, porque conheceo que da qui lhe resultárao perjuizos notaveis: ora se entao foi util destruir estes cunhos; porque se naõ há de agora destruir o primeiro, sendo necessario? Eisaqui o meio de matar a Moeda-papel. Toda a moeda assim de oiro, como de Prata tem 20 per 100, de prestaçao; a moeda de 6,400 tem seis mil reis de pezo como oiro de 25 quilates, logo devia ter 1,200 de prestação; mas tendo so hum cruzado, segue-se, que o Estado tem deixado de lucrar tantas vezes dois cruzados, quantas sao as moedas de 6,400 que se tem cunhado; por consequencia tem direito a resarcir esta perda logo que seja necessário. Suppe que em Portugal haja 90, ou 40 milhoens de moedas de 6,400 fazendo-as entrar no Erario para se dar o seu equiva lente em moedas que tenhao 20 por 100 de prestaçao, lucrará o Estado 60, ou 80 milhoens de cruzados, menos 24 per 100 (pouco mais, ou menos) pois tanto perderá a oiro deste toque tornando ao fogo.

Para este fim hé precizo que no Erario haja huma somma em moedas miudas capazes de cambiar a primeira porçaõ de moedas de 6,400 que se apresentar; por que depois estas mesmas tornando ao fogo, e desfeitas em moedas menores sustentao o giro até s extinguirem nos cofres particulares. Outra utilidade maior do que o consumo do Papel-moeda se tira deste procedimento, que hé o ficar a exportaçaõ da nossa

moeda de oiro. Todos os Politicos tem conhecido quam necessario seja vigiar rigorozamente sobre esta prohibiçao; e o Marquez de Pombal na carta em que pedio satisfaçao á Gran Bretanha de se ter queimado a Esquadra Franceza defronte de Lagos, lhe mostrou qual seria a sua decadencia se Portugual uma vez impedisse esta exportaçao, e nao quizesse por este meio concorrer para os interesses da Inglaterra.

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Notaveis saō as utilidades deste plano, e bastantes os seus inconvenientes; porêm todos remediaveis: em os penetrar, e prevenir hé que se deve empregar a politica, querendo-se adoptar este projecto. Conseguido que seja por este meio o resgate do Papelmoeda, Portugal tem dois partidos a seguir:-ou tornar a cunhar a moeda de 6,400, e conservar-se no Estado em que está, fazendo consistir a sua estabilidade no commercio pobre; ou tomar uma nova forma, e constituir-se formidavel, e os seus cidadãos. O primeiro hé mais suave (por ora) ao Soberano, á Corte, e a uma parte dos magistrados; mas quasi insuportavel ao corpo do Estado: O segundo pelo contrário será desagradavel á quelles, e aprazivel a estes. O primeiro nao hé util a ninguem; o segundo hé necessario a todos: As consequencias do primeiro seraō infalivelmente desgraçadas; e as do segundo de certo hao de ser felizes. Se o Ministerio Portuguez, estende as vistas alem do presente, deve adoptar o segundo partido; deve reformar o Exercito, a Marinha, e os Tribuna deve enviar colonias, deve destribuir os empregos, mao amontoalos em poucos sujeitos; deve promover a agricultura, animar as manufacturas, e obrigar os nacionaes a consumir os effeitos do paiz; porêm se estes procedimentos parecem pezados, e rigorosos; se o Governo Interior, Economico, e Politico de Portugal nao pode deixar de ser derigido por alguma naçao da primeira ordem, entao será melhor estabelecer um tributo positivamente para fundos de Amortizaçao do Papel-moeda; bem entendido que sem uma regulação da despeza do Estado, sem profundar, e cortar bem pela raiz as cauzas do nosso alcanse publico, nenhuma determinaçao será de algum effeito. Quaesquer que sejao as resoluçoens do nosso Ministerio em reparar as desordens Economicas, e Poli

ticas, que estao diariamente demolindo o estado, ellas devem ser tomadas quanto antes. Luiz Quatorze disse que a França precizava de uma revoluçaō; mas por satisfazer-se de impedir que succedesse no seu tempo, vierao os seus netos a ser victimas desgraçadas do furor popular.

Nós somos obrigados por direito natural, e divino a concorrer para a conservação, e prosperidade dos nossos filhos, e dos povos, que a Providencia nos subordinou. Este dever nao se cumpre preparando-lhes hum seculo desgraçado: Que homem (digno deste nome) deixará de sacrificar o seu gosto, os seus interesses, e ainda a sua existencia pelo bem do estado? A beneficencia, e a humanidade sao virtudes capazes de nos adquirir o amor dos homens, e a protecção da Providencia: Alexandre Magno hé mais louvado quando chora por ver a infeliz familia de Dario despojada da sua soberania, do que quando alaga a terra com o sangue dos seus semelhantes: O Imperador Otho Silvio nao seria elogiado eternamente se nao escolhesse antes a morte do que conservar-se no throno á custa de immensas vidas: Cosseio Nerva vendeo quanto tinha de valor para comprar campos, que dividio pela gente pobre, dizendo:-" Assim como todos sustentao o estado do Imperio com os seus tributos, assim o Imperador deve sustentar a todos, com o mesmo que elles lhe dao." Com effeito este sensato Imperador conheceo bem, que os soberanos nao sao mais do que huns depozitarios das rendas do estado para as destribuir sem avareza, nem prodigalidade.

Constantino grande sendo ainda pagao quiz antes, viver enfermo toda a vida, do que fazer derramar o sangue de muitos Innocentes para banhar-se: Trajano commetteo tantos actos de humanidade, que o Papa S. Gregorio lastimado por se ter perdido um homem de tantas virtudes pedio, e conseguio de Deos a salvaçaõ daquelle hereje § morto haviao mais de 500 annos! ||

Suetonio in Otho. c. 11. + S. Izidoro de Imperatori.
Socrates Histor. Ecclesiast. l. 1, c. 1.

§ S. Thomas 1 e 4, das Sentenças. S. Antonio p. 2, t. 12, c. 3. Nós respeitamos tanto as virtudes de S. Gregorio Papa como a auctoridade de S. Thomas: todavia parece-nos bem exquisita

VOL. XV.

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