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chas cabeças para a terra, e se aproximao do seu tumulo. Nenhuma ave chocando construe agora occulto ninbo na espessura de abastecidos ramos, nenhuns pintainhos chama) os pais com seos clamorosos, e bein-aceitos guinchos, requerem a sua comida e despertaõ nos coraçoens senciveis a imagem da ventura domestica. Somente o azulado Ratinho vaguea solitario pelo bosque, luctuoso precusor do proximo inverno.

Quanto tempo ainda este verde ornamento deverá cobrir a espessura ? Qnantas vezes deverá o Sol inda vê-la no seu esplendor?' Quanto tempo hade ainda orvalhar o arroio suas verdes sombras ? Vein, vem chegando os dias do inverno, as risonbas horas vôao com perfida ligeirera, e chamao para ao pé de nós o inexoravel destruidor d'alegria. Estas arvores vað ser desfolhadas, e luctuozas

erguerse do frio chay, este arroio vai petrificar-se como gelo, e alem sobre aquellas montanhas, que agora cobre variada verdura, pousará só neve com morta uniformidade, e só despidos rochedos interromperáð o branco deserto. Entað, sem ser saudado pelo canto das aves, e pelo rabil dos pegureiros, se ergue do mar o sol solitario, mal-olha as invernosas regioens, que outrora vira em seu lustre, e coberto de nevoa se enlucta por esta mudança e fugida do estio. Com tudo, eu s6 provo uma ligeira magoa n'auzencia de tantas bellezas, pois sei, que depois do frio inverno torna uma primavera, que hade reverdecer estas arvores, desatar esta torrente, e reproduzir os amores das aves. o sol da joven primavera com ridente aspecto, e folgando de tornar a ver a terra embellecida, derrama sobre ellá a sua mais bem-fazeja influencia.

Assim vecejamos nós em a flor da mocidade ; e tudo se ri para nós em roseo lustre; mas os dias da velhice chega), chega a omni-dissolvente morte, e no véo juvenil trazemos nós já comnosco o germe da nossa destruiçao. Quanto tempo, oh querida Amiga!.quanto tempo andaremos ainda de maons dadas? Quanto tempo haõ de enthusiasmar-nos ainda os objectos, que hoje fazem a nossa dita? Talvez brotáraó já as violetas immediatas aos nossos jazigos; entað vem o sol da primavera, que nos despertára tantas vezes para novos

Entao vem

mas de

praseres, e nao achando mais os nossos vestigios, raia tam bello nas gotas de orvalho, que tremem sobre as flores da nossa campa como raiava outrora nas lagriprazer, que

borbulhavao em nossas faces. Mas nað gemamos de lucto! A lem da estreita e nocturna morada, alem do invernoso tumulo, nos surri uma melhor primavera, uma primavera, cujas mais nobres fores nunca murchaõ, cujos mais bellos sóes nunca passað. Enta) rompe o veo invisivel a liberta maria posa; todas os suas forças e faculdades, que eraõ mui grandes para este mundo, se. dezenvolvem como suas azas, seus dezejos insaciaveis de felicidade se pre enchem, e o ente enobrecido fluctua continuamente de bemaventurança em bemaventurança.

XXII.-0 Cume da Montanha.

Que dominante e immensa vista se offerece d'aqui aos nossos olhos! Quam desmedida se estende a terra diante de nós! La jazem os lugares da habitaçao dos homens—uma grande e tumultuosa cidade; innumeraveis aldeas, cercadas de jardins e viçosos campos; castellos reaes, que levantað excelsos os circumspicientes eirados; elegantes quintas, que anuncia a prosperidade e o commodo! E lá no fundo da pintura a magestora torrente, que em varias tortuosidades, enrosca seos braços azues pela encantadora paizagem! Tudo vive, tudo se move lá em baixo, carruagens se vem rodando pelas ruas da cidade, homens hindo é vindo, e promovendo seos empregos; o operario e artista nao trabalhaõ, sem estrepito; carros carregados estrondea) pelas estradas; a bulha, a assuada, a occupaçao poem em movimento è perturbaõ as enormes capitaes.-E aqui! qué socego, e magestoso silencio!' Até este elevado cume nao remonta a multidaõ; nem se eleva o mais pequeno rumor! Os sons mais altos resoað pelas tranquillas faldas da montanha; e só as vozes da natureza, só o murmurio das fontes e o gorgeio das aves interrompem esta solemne taciturnidade, e se misturaõ nos doces accentos d'amizade, que voluntaria habita nas sombras deste arvoredo.

Nao te faz, minha amiga, o tope desta montanha e a sua solidao lembrar a virtude, que em perpetua luz

pura, sobranceira ás paixoens aos interesses, e a todas os inquietos esforços, e ordinarias pertençoens dos homens, habita em silencio e em venturoso descanço? Na sua sublime elevaçað os objectos e suas relacoens se lhes mostraó em proporçao da sua realidade. A ambiçaõ nað levanta para ella a sua voz offerente; os atractivos da voluptuosidade nao tocao o seu alto assento, nenhum illusorio caprixo perturba seu repouso, e as exigencias de todo o sentimento ignobil sốað debalde e sem sentido no baluarte inabalavel da sua verdadeira felicidade. A natureza somente lhe falla com todas as suas doces mas potentes vozes; ella descança nos braços da amizade, e na sua altura sente avesinhar-se ao parente Céo.

XXIII.- Jardim em Septembro.

Ja por detraz da montanha se poem o Sol mais cedo, já mais cedo se alastrað as sombras sobre a planicie; e frescas viraçoens sopraõ em torno das medas, é encrespao a meos pés as murchas folhas que aqui e ali cahiram das arvores.

Apenas agora o derradeiro brilho da tarde avermelha os escurecidos topes das arvores, cujo animado verde a estas mesmas horas já brilhará em todo o lustre do Sol. Acabou-se o risonho tempo da vivificante alegria, e d'abundancia ; desapareceram os bellos e longos dias do estio ; de mil e mil flores que adornavao o jardim há poucas luas, nem uma so existe. O anpo tem passado a sua juventude, e já se aproxima na virilidade ao cadente Outomno. Mas a sbemfazeja Natureza nao deixou este periodo sem graça, e sem gozos. Onde outrora se accumulavað flores sobre flores, e entumecidos gommos desabroxavao, amadurecem agora preciosos fructos. Ali dos ramos carregados se curva) as doces pêras até á mao colhedora; aqui as ceruleas ameixas, como entrelaçadas, começaõ a sazonar-se, e as maçans ostentað suas varias cores, e alem reluz o pecego por entre as cobridoras folhas. De um Ceo azul-escuro raia o Sol brando e animador, uma temperatura doce e uniforme coze a seiva dos vegetaes e perfettamente

O homem sem ser opprimido pelo calor, anda pelos fructiferos contornos, goza com pleno

a sazona.

anhello de um tepido ar puro, e com silencioso regozijo deleita os olhos no complemento de todas as promessas, que lhe apoptára a vecejante primavera.

Tu queixas-te, minha Amiga! da fugida da nossa mocidade e de seos prazeres. Hé verdade, acabou-se o tempo da nossa jovial liberdade, e de nossos exaltados sentimentos. Muitos cuidados, muitas laboriosas occupaçoens lem encurtado os vôos da nossa phantasia, e reconduzido o nosso espirito á fria realidade; a dança, e estrepitosos prazeres já nað encantao nossas almas sérias; sobre as nossas faces se desbotað as rosas da mocidade; um pequeno desfalque, uma visivel decadencia em nosso semblante mostrað, que nenhuma plethora mais entumece nossos musculos; e o enxame dos mancebos passa por nós indifferente. Cedo começaõ a murchar-se as Donzellas, que nos conhecemos crianças.

Mas deveremos por isso amargurar-nos, minha cara ? Nao tem a Natureza com prodiga maõ reparado tudo quanto nos tirou! De boa mente esquece a mulher feliz, no circulo de seos filhos, os enfeites e elegantes sociedades, e acha mais doce nas horas silenciosas da noite ver o farto succador infante adormecer no seio materno, do que formigar no labirintho e tumulto das mascaradas. “A terna consideraçao de um espozo nað diminue, porque o tempo, e os maternaes deveres tem apagado os primeiros attractivos de nossas faces; e bons e contentes filhos saltað a roda de nós, se já nenhum galante nos ladêa. A experiencia, e cuidados' domesticos tem sazonado o nosso caracter, comfirmado os nossos principios ; e na alegre serenidade do espozo, na muda sofreguidaõ, com que volta á noite para sua socegada caza, nas virtudes da crescente especie, colhemos nós mil vezes os fructos que a risonha primavera nos prometteo.

XXIV. - Os Botoens no Outomno. Desaparecerað todos os prazeres do Jardim. Desfolhados estað os arbustos, destruidos os canteiros; o pomar despojado de seos thesouros, e os ramos sem folhas estendidos no turbido ar de Novembro. Apenas aqui e ali florece o purpureo Chrysanthemo, e o dou

rado Heliantho raia por entre o nebuloso véo com suas famantes estrellas. Como tudo está calado em torno de mim! Tudo exprime apartamento e descanço depois dos activos prazeres do verao. Ali cobre o jardineiro o tenro pimpolho de mais doces zonas, a figueira, com abrigador tapigo-aqui jaz o jasmin e o clematis debaixo de coberta, e defendido contra a geada.-Exhausta e cansada espera a Natureza a chegada do inverno, e o ferreo profundo somno. Mas por estas aridas circumvesinhanças passeio eu alegre, e, em quanto os prazeres deste anno caminha) para o sepulchro, noto as esperanças do futuro aqui, nos vermelhos botoens vecejantes do cortado Platano, ali nas verdes pontas do prematuro sabugueiro, e particularmente nestes redondos e lanosos botoensinhos de arvores fructiferas, que se accumulaõ nos troncos, e promettem novas flores, e doces prazeres, que haõ de reproduzir-se aos brandos raios do Sol da Primavera. Quam bello tornará a ser o jardim ! Que gratas horas nao passaremos a sombra das arvores reverdecidas em familiar conversaçaõ e animado recreio !

Onde está agora o inverno com seos terrores ? Onde estaõ as sombrias imagens de apartamento e morte ? esquecidas a este prospecto de vindouros prazeres, extinctas ao brilhante esplendor da esperança! Tao potente hé o seu encanto, tað benefica e sabia a ordem da Natureza, que ainda quando nao pode trazer-nos a rialidade, nos mostra os botoens de futuras flores ! Nao só na primavera da vida, em que o grande mundo se franquea á vista prespicaz, brilha aos contentes olhos a amiga esperança, tambem nos ferventes dias da idade adulta, e nas horas tristes, liga ella por occultos laços o deleite da existencia, e a força ao magoado coração; e no seu magico espelho deixa ao encanecido, para quem este mundo se tornou vam. sombra, ver resurgir outro mais bello, e o consola na lisongeira esperança de tornar a ver os extinctos objectos do seu amor.

XXV.O Vento do Outomno. O rouco vento do outomno zune pelar arvores, lança por terra suas mal-pegadas folhas, e sopra agudo pelos prados, que já nenhuma flor adorna. Com rapidos

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