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vem, a sua Caza, porem para ter um bom exercito, uma indispensavel marinha, e grande numero de estabelecimentos publicos, que sendo necessarios em todos os paizes, muito mais o sao agora em o nascente Reino do Brazil.

Nem se persuada o nosso Principe que o disfarçar e nao punir os delapidadores hé um acto de bondade: lembre-se, que para que esses sejað ricos, vivein na mizeria milhares de vassallos; e que sendo compassivo para com os primeiros hé injusto e desapiedado para com os segundos, isto hé-para com o seo povo. Alem disto, quanto mais um punhado de parasitas se engordar com a substancia publica, menos credito ganhará a dignidade Real que os sofre; e o Principe nunca deve querer arriscar e comprometer o seo bom nome só para que poucos individuos absorvaõ riquezas enormes com o detrimento de todos-o Monarca, e a naçað. Haja pois responsabilidade em todas as Administraçoens, e em todos os Empregados, e haverá logo dinheiro em abundancia; com elle terá respeito e credito o governo; e do Brazil se fará o Imperio mais opulento, e respeitado do mundo. Esta hé só agrande mola dos Estados : sem ella nað há senaõ descredito, e mizerias. Mas só tomando medidas justas e energicas poderá o nosso Bom Principe fazer a regeneraçao do seo novo Reino do Brazil; e esta Regeneraçao será monumento mais nobre e mais duravel de suas virtudes. do que esse que o povo do Rio de Janeiro bem mere. cidamente já quer agora dedicar a sua memoria.

FRANÇA.

Se nós vivessemos em França, e nos fosse dado chegar perto da pessoa de El Rey Luis XVIII., em uma manham em que elle estivesse mais desafrontado da góta, e tivesse feito boa digestað, escreveriainos na parede do seo gabinete em largos e bem legiveis caracteres os versos seguintes, que um Poeta póz: na bóca de S. Luis para Henrique IV. no assalto de Paris, a fim de que este seo filho, uo erguer-se da cama, os podesse ler e meditar :

ko Arrête, cria-t-il

, trop malheureux vainqueur !
« Tu vas abandonner aux flammes, au pillage,
« De cent Rois, tes aïeux, l'immortel héritage,
"Ravager ton pays, mes temples, tes trésors,
k Egorger tes sujets, et regner sur des morts;

« Arrête ! .. Luis XVIII., entrando em França parece, com effeito, haver entrado por conquista em um paiz inimigo, e quaze todas as suas medidas tendem mais ou menos a satisfazer vinganças suas, e de um punhado de adhe. rentes, sem nem elle nem seos amigos se lembrarem que procedendo assim completạõ a ruina da patria, e a vað reduzir á insignificancia, á mizeria, e a um completo aniquilamento de espirito publico.. Todas as Instituiçoens antigas começa a destruir-se, só porque nasceram quando elle reinava em Inglaterra; e vao-se The substituir outras ainda mais antigas, que nao poden trazer á memoria se nað ideas desavantajozas aos Bourbons. Até o nome de-Instituto nao tem parecido sonoramente Real aos puros ouvidos do novo governo, que nao se contentando com expulsar delle alguns antigos proprietarios, ainda ioma a vingança de o desbaptizar

Por um Decreto Real, datado das Thuilleries aos 13 de Abril, se acabou tambem com a famoza Escolla Polytechnica, porque alguns dos pupillos se mostraram pouco obedientes, ou pouco affectos a nova orden das

Assim este grande estabelecimento de inBtrucçao militar Franceza já nao deve cauzar ciumes aos estrangeiros, que ainda podessem arrecear-se do poder das armas da França." Mas nisto vai mui coberente o governo, porque se elle taõ de boamente entregou aos estrangeiros suas armas, suas muniçoens, as suas praças fortes, e até parte da herança que lhe deixaram seos pays ; para que querem officiaes militares, e escollas que os instruað? novo governo tem o espirito verdadeiramente christianissimo; quer reduzir a patria a toda a estupidez, e virtuoza igoorancia, tornando-a ignoblil e estulta pelo amor de Deos !

No que parece com tudo desviar-se um pouco das virtudes pacificas que inculcað o seo titulo, hé a bem pequena propensaõ que parece ter para o perdaõ das injurias; porque neste ponto se tem mostrado tanto de

couzas.

Vol. xv.

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carne e osso como os mais inveterados peccadores. Hé verdade que tem perdoado a morte a alguns réos, mas tem-lhe commutado este castigo na pena de 10 e 20 annos. de prizao; talvez porque a dor de um momento lhe parecerá couza nenhuma em comparaçao de longos annos de uma dor constante e successiva!.0 General Debelle e o Coronel Boyer tiveram esta comutaçaõ de pena ; o primeiro em dez annos, o segundo em 20 annos de priza). O virtuozo General Travot tambem foi prezo e condemnado a morte como conspirador; mas a sua sentença ficou annulada por illegalidades no processo, que se há de tornar a instaurar. Para se conhecer o caracter desta victima basta só, recordar-nos do seo comportamento em Portugal, e de que foi o pacificador de La Vendée; porem quando se quer o sangue de um homem, até a justiça dos Aristides hé crime!

O General Druot, que havia acompanhado Buonaparte para a ilha d'Elba, e com elle havia saltado em França, foi mais feliz no rezultado da sua sentença. Hé certo que a sua defeza foi miui nobre e mui franca; mas isto só nao lhe teria valido se um dos seos juizes nað tivesse seguido uma vereda oposta a que se esperava delle. O General Taviel, esse mesmo que foi commandante em chefe de artilharia no esercito de Junot em Portugal, e na primeira invazao, quer seja que ficasse aturdido con una certa Proclamaçaõ prophetica de Buonaparte, quando desembarcou em França, a qual foi lida no acto do processo, quer fosse por falta de constancia, ou por bondade de coraçao, cazualmente tomou o partido de um unico voto certo a favor do general accuzado, e este foi absolvido,

Mas nao existe em França só esta guerra declarada entre os governantes e os governados; mesmo entre os primeiros existem pelejas e combates bem sérios, ou affectadamente sérios, que daó que fallar ao mundo. A Camera dos Deputados está em contradicçað verdadeira ou apparente como governo e com à Camera dos Pares. A celebre Lei sobre as Elleiçoens nað foi approvada pelos Pares, e querendo o governo compor a desavença, propoz outro Projecto de Lei temporario que foi aprezentado aos Deputados : mas estes mantiveraõ a sua primeira opiniao, e emmendaram o Pro

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jecto pela mesma forma que já da primeira vez tinhao decidido. Todo o chiste da contenda está porem ao cazo seguinte:-Pelo artigo da Charta Constitucional, a Camera dos Deputados devia ser renovada dentro de 5 annos por quintos annuaes, mas o governo que nad achou talvez bom depois este arranjo, declarou que este artigo da Charta era um dos que deviaõ ser revistos pelas Cameras. Em consequencia disto, os Deputados regularam a nova Lei sobre as Elleiçoens, e nella estabeleceram por principio, que a Camera dos Deputados se conservasse inteira por 5 annos, e só no fim delles fosse inteiramente renovada. Os Pares Dao approvaram a resoluçaõ, e nisto parecem hir agora de acordo com o governo. Este, que no principio manejou toda a sorte de intriga e dispotismo para que os Deputados da Camera nao fossem os verdadeiros reprezentantes do povo, mas só servis representantes da Corte, parece estar hoje mal contente com as suas creaturas, porque ellas nao se tem mostrado tao doceis como se desejava; nestes termos querendo agora purificar a Camera á sua vontade, pertendia que nella entrasse o primeiro quitto em virtude do artigo Constitucional." Os Deputados porem que lhe perceberam as tençoens, e que para seos fins se querem perpetuar todos no officio, durante os 5 annos, illudiram esta proscripça), declarando que a Camera duraria 5 annos completos, e que só findos elles seria renovada in totum. Eisaqui pois está todo o ponto da questao. O governo em o novo Projecto provisorio queria deixar de fora este ponto essencial, e parecia dezejar que no em tanto se executasse o artigo da Charta á este respeito; mas os Deputados naõ deram pela insinuaçao, e emendaram o Projecto, ratificando a sua primeira resoluçao, de que a Camera se conservasse intacta por 5 annos.

Nao sabemos o que neste cazo fará o governo, e se mandará ainda o Projecto para os Pares, ou’se lhe porá o seo veto. O que dá com tudo a entender, que as couzas acabaráő em bem, hé que a outra, igualmente importante questað sobre o Budget se decidio á final se gundo os dezejos do governo, e como este tem o dinheiro e meios que pertendía, naturalmente tambem condescenderá com a vontade daquelles que lbo deram Para em fim mostrar a falta de unidade, e espirito

$

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de controversia que dividem todas as classes do pova Frapcez, acrescentaremos ainda, que até no interior do palacio a Familia Real vive em desavenças politicas. Nós, no Artigo França, pag. 316, já transcrevemos um extracto de uma Carta que se diz escripta por Lord Wellington a El Rey Luis XVIII.; e as ultimas palavras da citada carta saõ assás curiozas, e grandemente memoraveis.V. M. (diz o Lord) peut être assurée, que le plus grand mal prend sa source dans son propre palais. Em explicaçao deste texto, diz o seguinte uma correspondencia de Paris, com data de 4 de Abril:

“ Observa-se, que M. de Cazes tem ganhado ultimamente um decidida influencia em todo o gabinete. O seo ascendente no espirito de El Rey attribue-se a circumstancia seguinte: Haverá dois mezes o Ministro descobrio, uma conspiraçao formada, nao como se suppoz naquelle tempo, pelos Revolucionarios contra a Familia Real, porem pela Familia Real contra El Rey. O seo objecto e seo fim eraõ compelir El Rey a abdicar, e para este effeito até já se tratava de empregar a força no cazo de rezistencia. O herdeiro immediato (Conde d'Artois) estava já previamente composto, e depois da abdicaçao de El Rey o Duque de Angouleme tomaria logo posse do throno: assim, deste modo, os Ultra-Realistas entraria) no pleno exercicio de toda a auctoridade, e tudo quanto ainda falta para completar a obra da contra-revoluçaõ se teria triumfantemente executado. Esperava-se que o povo, intimidado com a prezença dos exercitos estrangeiros, nað

mais

pequena rezistencia; porem como se viesse a revelar a palavra de guerra-minuit, o projecto abortou. Nimguem ignorava naquelle tempo a existencia da conspiraçao, mas ignorava-se o seo obs jecto verdadeiro. Prenderam-se muitos individuos, porem á nenhum delles se fez processo, e pratica-se agora tudo quanto hé possivel para sepultar toda esta historia nas trevas do misterio. O maior receio que tem agora os novos conspiradores hé a opposiçao dos Alliados, e particularmente do gabinete Britannico, depois que viraõ a carta do Duque de Wellington: uma passagem desta carta allude positivamente ą aquella primeira conspiração."

fizesse a

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