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cito Portuguez; e com quanto damno para nos, para a Grā-Bretanha, e para a Europa toda, a experiencia o tem mostrado. Mas como nað havia de ser assim? ... Nós nað sabiamos o que se dizia de nos pelo mundo_Nos nao publicavamos coiza alguma nem para re. futar calumnias, nem para servir de thema ao nosso elogio. As calumnias, e os prejuizos estavaõ sephoras do campo da baralha :-por outra parte os Petits. Maitres nað passavaõ de Lisboa, porque as estradas, estalagens, e machos de arrieiro, nao convidarao a viajar. Era lhes mais commodo, por consequencia, tomar o todo pela parte, fazendo a pequena hypo. these-que huma grande capital, e hum grande emporio de commercio, naõ devia ter, ou Lisboa era unica que

tinha vicios coin muns a todas as capitaes e a todos os portos de mar de grande commercio, onde se achaõ negociantes, e tratantes de todas as partes do mundo, os quaes, geralmente fallando nað sao os archetypos da moral.-Com esta pequena hypothese, que hum Philosopho pratico nző ad motuhia tao facila mente, espalháraó estes libellistas horrores contra os Portuguezes, e forao acreditados porque ninguem os contradizia :-e tai he a cegueira da inveja ; he tal a animozidade, e o espirito de intriga, que naõ nos admiraremos, que entre nós mesmos haja, como ja tem havido, quem nos accuse, quem nos faça hum crime de termos tirado do pó do desprezo, e do esquecimento estes libellos, e de os termos feito conhecer aos nossos naturaes, para os irritar; entretanto que nós estamos persuadidos, que neste plano que seguimos fazemos hum verdadeiro, e essencial serviço as duas Nacoens; porque ou expurgaremos o mundo literario desta classe infecta de escriptores, ou obstaremos a que os seos dicterios, e insultos façaõ impressað alguma nos homens sensatos de ambos os paizes. Para lomens sensatos he que nos escrevemos; estes sað os que temos em vista e consultamos, e por estes he que dezejamos ser julgados ; saõ estes os que Solon queria, que jamais faltassem nas cominocoens populares, a qualquer partido que pertencessem ; pois, dizia elle, que se os homens de bem se auzentassem, e ficassem livres os doidos para obrar, nunca os partidos appostos se reconciliariaõ. Applicando dizemos--se os ho

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mens sensatos em Portugal, e Inglaterra, conhecida que lhes seja a futilidade, e malicia desias publicacoens, fizerem a devida justiça ao caracter dos Portu. guezes, e Inglezes, elles conservaraõ, e consolidarao, cada vez mais, a uniao das duas Nacoens, qualquer esforço, que para as desanir façaõ os malvados de huma, e de outra; e entretanto desesperem-se embora os desta classe de naõ poderem levar á vante. interesse pessoal qne tinhaõ em deixar correr sem contradicçað, e produzir o seu effeito estas calumnias contra a Naçaõ Portugueza.

Nos naõ iemos precizaö de observar aos homens sensatos de Inglaterra a cautela que devem ter com a natureza insolente, e, maledica dos seos naturaes via. jantes.-Ein depoimentos dados por pessoas notaveis perante a camara dos communs, acha-se este principio reconhecido em toda a sua extensao, quando unanimente concordað todos os depoentes no perigo que correria o Imperio Britanico na India se acazo se deixassem livremente viajar pelo interior da Azia Eu. ropeos, quer dizer-Inglezes-segundo elles mesmos interpretáraõ. Observem bem os nossos leitores Por. tuguezes o que disseraõ Mr. Hastings, Sir John Mala colm, e Lord Teignmouth; e ficará evidente, que refutando os Portuguezes, como devem, com os face tos, e com a doutrina essas infamias que delles se tem dito, bao de sempre achar em seu favor os hos mens sensatos da Gram Bretanha; e talvez teremos a gloria de cohibir para o futuro as temerarias relacoens dos viajantes, defeito geral en todas as Na. çoens; mas muito particularmente entre os Inglezes: porque se observa que n’hum paiz onde concorrem homens de todas as Naçoens, os Inglezes sema pre saõ, ou os unicos, ou os que mais se queixaõ : talvez porque

vivendo

sempre entre si, e sem muita communicacao com os naturaes, naõ sabem despirse de nenhuma prevençaõ, nem accommodar-se a outras leis, uzos, e costumes, que nað sejaõ os

Interrogado Mr. Hastings famozo Governador da India (a quen se fez o processo de impeachment em 1788, e seguintes) se pela sua experiencia, e longa

seos.

rezidencia na India, podia dizer qual seria o effeito da rezidencia dos Europeos naquelle paiz, deixados á sua vontade, e sem restricçaõ alguma? --- respondeo, “que o mais prejudicial, e ruivozo, tanto para os “ interesses da companhia, como para o Governo, e paz daquelles povos.

Nada era mais opposto, “ disse elle, que o caracter dos Europeos (limito.me “ aos Inglezes) e o dos naturaes do paiz. Eu posso “ fallar correctamente dos naturaes daquella parte “ da India, que forma o nosso principal estabele“ cimento, Bengalla, e suas dependencias. O iudi

gena da India he fraco no corpo, e timido de espirito ; be susceptivel de resentir-se, mas sem a

quelle sentimento de pondonor que no seio de “ hum Europeo cria huma especie de lei, e o faz so. « branceiro ao temor das leis, do perigo, do tor« mento, e da morte. Este naõ he, geralmente fal" Sando, o caracter do povo tomado em massa.

Indio indigena he tal como o descrevi. Ha porem

cazos em que huma provocaçao de aggravo geral “ excitaria todo o povo, ou grande parte delle, a « todas as ferocidades da insurrecçað. Com tudo " individualmente considerados, os Indios sao bran“ dos, e submissos. Nað he assim o caracter do In

glez na India. O nome só de luglez bé hum dis“ iinctivo, e regalia para commetter offensas, que “ nað commetteria em Inglaterra. Alem disso a idea “ gigantesca que tem quasi todos os Inglezes de par. “ ticipar do poder supremo da Companhia, faz que

as classes inferiores pratiquem actos, e excessos de u despotismo, todas as vezes, que pelas suas preroga" tivas o podem fazer impunemente. ( aggravado « ludio nao tem recurso algum nesta disparidade: " elle pode queixar-se, he verdade, ao mais proxi. « mo tribunal de justiça; mas difficuldades que a:

penas se poderiaõ recear n'outro paiz, o embaraçaõ, " e suspendem. A distancia da rezidencia dos mau gistrados, as despezas, e de longas dos processos, “ à difficuldade de levar testemunhas, lhe aprezenta & obstaculos insuperaveis; accrescendo a isto as re" lacoens nacionaes, linguagem, costumes, vestido, “ e a possibilidade de correspondencia social entre

as

o seu oppressor, e o seu juiz; o que tudo junto he

capaz de o aterrar e fazer renunciar a toda a " queixa.”

Ná pergunta que se lhe fez-" Quando vos calcu66 laes os males rezultantes da r; zidencia na India de " individuos que nað sao empregados na companhia, “ fazeis vos differença entre Americanos, e vassallos Inglezes ? Certamente faço, respondeo elle. Em " que consiste essa differença? No direito de appel“ laçao, que todo o Inglez pode fazer para as leis do

seu paiz, ou para os prejuizos dos seos nacionaes. " Naõ quero dizer com isto que o nosso Governo nað “ poderia trazer-se as leis ; mas na distancia em que está a India do paiz natal, toda a appellaçaõ seria " inutil, de embaraço para o Governo, e muitas vezes sem replica. O concurrente Americano naõ tem

mesmas vantagens ; e se as tivesse seria igual. " mente malfazejo.'

Lord Teignmouth foi tambem interrogado, e á pergunta que se lhe fez-Que males receava sua Senhoria do illimitado commercio dos Europeos com os natu. raes respondeo_" que a consequencia geral que re“ ceava do influxo geral dos Europeos no interior do “ paiz, e commercio com os naturaes, era a tendencia

a rebater a estima que elles tinha), em geral, pelo “ caracter Europeo, sem exaltar o destes. Elle pen“ sava que hui tal effeito seria perigozo n’hum paiz, " onde o cazo que se faz do Governo depende grande“ mente da opiniaõ; n’hum paiz onde o numero dos

naturaes está para o numero dos Europeos, como “ dois mil para hum; alem d'outros inconvenientes,

que rezultariaõ da desattençaõ pelos prejuizos dos naturaes, e comportamento apto para os irritar."

Sendo Sir John Malcolm chamado pelo Committee e perguntadom"Se instruindo os naturaes do paiz

nas artes uteis os Inglezes alli rezidentes vigorariaõ o Governo Inglez na India, respondeo-Que elle

pensava que tal instrucçaõ seria'vantajoza aos naus turaes augmentando-lhes as commodidades, e pra“ zeres da vida; mas naõ se persuadia, que ella ten“ desse de algum modo a vigorar a segurança politica as do Governo Inglez na India, a qual Ibe parecia fun. “ dar-se no estado actual. Fallando deste, elle se re

#feria ás suas actuaes divizoens em diversas castas, < contendo cada huma deveres, e occupaçoens par“ ticulares; e aquella reverencia, e respeito, que elles

tem pelos Europeos naõ só em razaõ de seos con" lecimentos superiores nas sciencias, mas tambem “ nas artes mecanicas; concebia, por tanto, que in4 struindo assim os naturaes, suas commodidades se “ augmentariaõ, e as suas forças, como sociedade:

mas naõ pensava que a instrucçaõ que tendesse “ gradualmente a desfazer as distincçoens existentes

entre os vassallos nativos Inglezes, e a diminuir' o respeito que elles tinhaõ pelos Europeos, accres“ centasse alguma coiza ao politico vigor do Governo “ Britanico. Todavia elle estava longe, pela sua “ opiniaõ de insinuar ao Governo Inglez, que repri. “ misse os progressos, e melhoramento de seos vas“ sallos nativos; pelo contrario, ella o devia desper66 tar sobre as difficuldades crescentes no governo do “ Imperio Indiano.”

Depois de algumas perguntas sobre o caracter dos naturaes da India, Sir J. Malcolm foi interrogado sobre a affeiçaõ das tropas do paiz aos seus officiaes, cumprindo saber, se esta affeiçaõ era tað forte particularmente no exercito de Madras, como era alguns annos antes, ou se tinhaõ occorrido circunstancias, que a perturbassem? Respondeo “ que muitas cir16 cunstancias tinhaõ occorrido no exercito de Madras,

que tinhaõ seriamente perturbado aquella affeiçaõ, provenientes humas de cauzas remotas, e outras “ de motivos recentes, que julgava desnecessario

circunstanciar. “ Concebeis vos, se lhe perguntou, que a amizade,

e affeiçaõ daquelle exercito aos seos officiaes na" tivos seja essencial para a continuaçaõ do nosso “ poder militar na India? Eu concebo que o nosso

exercito natural da India pode fazer tanto a segurança, como o perigo daquelle imperio; e concebo que os officiaes do paiz saõ as grandes, e impor

tantes cadeas, que podem conservar aquelle exer“ cito em boa ordem, e subordinaçaõ ao Governo Bri“tanico: concebo por tanto que a amizade, e affei

çaõ dos officiae's do paiz saõ essenciaes á continuaçaõ, e segurança do nosso poder na India."

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